sábado, 26 de junho de 2010

Construindo uma Marca - Hollywood.


Repare que nesta publicidade dos cigarros Hollywood extraida da revista O CRUZEIRO de 5 de maio de 1961 mostra uma mulher dócil induzida a fumar por uma mão masculina. Mais tarde as companhias de tabaco mudariam o enfoque mostrando que a nova mulher deveria fumar como forma de liberdade.
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Construindo uma marca - KOLINOS

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publicidade da Revista O CRUZEIRO de 3 de outubro de 1953.

Arquivos Impláveis em O CRUZEIRO (3 de outubro de 1953)

          "Se um dia eu rasgasse os meus versos, por desencanto ou nojo da poesia, não estaria certo de sua extinção: restariam os ARQUIVOS IMPLÁVEIS de João Condé."


                                                                                                                 Carlos Drummond de Andrade

CARTA INÉDITA DE ALCIDES MAIA A COELHO NETO.


Rio, 24 de setembro de 1913.

Meu querido Netto. - Não te escrevi até hoje por uma questão de temperamento, bem n'o sabes... Mas, as saudades são indiziveis. Se todos os teus amigos sentem como eua tua falta, és um homem feliz, - o homem feliz, - o homem que encontrou na vida mais um amigo....
Sei dos teus filhos pela família do Gregório e por D. Lulú. Não iria á rua do Rozo sem grande pezar, excepto se os teus filhos estivessem doentes ou se precisassem de mim.
Mas, ao contrário, elles passam muito bem, e eu não comprehendo aquelle gabinete sem o Netto e sem D. Gaby. Ir até lá fora o mesmo que augmentar as minhas melancholias congenitas e adquiridas, que devo vencer, ou, pelo menos, dimniuir, com uma melancholia nova.
Accuso-te de um crime: porque ao Gregorio escreves longas cartas e a mim rapidos bilhetes?
Oh! Netto! Pois, és mais amigo do Gregorio que meu amigo? Feia cousa...
Quanto a D. Gaby, nem falo... São dez annos de relações fratenaes esquecidas... Ha dias, vi-lhe em casa do Gregoria o retrato, ao teu lado. Está mais nutrida e com uma belleza de franceza do Sul, do Béor. Tu, o mesmo typo de selva, deslocado para a cidade e para a arte.
As tuas referencias á França, no rapido cartão que me escreveste, são naturalmente falsas. Soffres da presença immediata. Não ha nada que mais decisivamente extravie o pensamento e pertube a analyse.
A França, meu caro, é uma realidade subjectiva, não objectiva. A França é o passado e o futuro, não o presente. Este, entretanto, é belo e forte, pois não comprehendeste a sua grandeza? Viatico? - Viatico está a pedir a allemanha...
Oh! o odioso paiz! que vaes fazer lá? Eu, se visitar a Europa, irei da França á Italia, voltarei da França a Inglaterra, antes ou depois da França, visitarei a Iberica.
Quanto á Allemanha, terei o orgulho original de não pensar nella.
Tenho trabalhado dois livros quasi promptos. Serás recebido aqui com uma bella festa, ingrato artista, magnificamente barbaro, mas pouco psychologo, pois julgas a amizade dos homens pelas cartas que te escrevem!
Adeus; innumeros apertadissimos e sinceros abraços.

ALCIDES.

P.S. - Como sabes, fui eleito para a academia.'
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(seção ARQUIVOS IMPLÁVEIS de João Condé, O CRUZEIRO de 3 de outubro de 1953)

Album de família - em 1910

O jovem e elegante crítico Agripino Grieco ao lado do pintor acadêmico Guttmann Bicho e do poeta Max de Vasconcelos, já falecido.


(seção Arquivos Implacáveis de João Condé - Revista O CRUZEIRO, 3 de outubro de 1953)
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O TICO-TICO (Revista Manchete, 29 de outubro de 1955)

o tico-tico, cinquentão de calças curtas.

Reportagem de Sousa Rocha.

                        No 11 de outubro de 1905, nascia uma revista infantil que haveria de ser verdadadeiro marco na vida das crianças brasileiras através dos tempos

                        O veterano jornalista Luis Bartholomeu de Souza e Silva ao planejar em 1905, já diretor de "A TRIBUNA" e de 'O MALHO", a nossa primeira revista infantil, safou-se da indecisão que o  atormentava a respeito do nome do jornalzinho, vendo pousar numa janela próxima um ingênuo e brassileiríssimo tico-tico. Era só o nome o que faltava... logo nasceu a 11 de outubro de 1905 o tico-tico que agora, cinquentão, ainda é a mesma revista de calças curtas, instrutiva, nacionalista, correta, que deliciou três gerações de brasileiros com suas historietas de quadrilhos, as suas lições de vovô, os seus concursos a prêmio, seus certames educativos, seus álbuns, suas paginas de armar, seus ricos presépios de natal, seus recitativos e uma porção de outros pequenos atrativos coloridos. E sempre - o que é mais importante - fiel ao nome, autêntico passarinho caboclo e benemérito...
                        Dirigido há muito muitos anos pelos sobrinhos do fundador (os irmãos Luís, Antônio e Osvaldo de Sousa e Silva), o tico-tico tem tido como factotuns sucessivos Renato de Castro, Osvaldo de Souza e Silva, Carlos Magalhões e, desde 1939 o aplaudido poeta e contista Galvão de Queiroz que espontanêamente se afastou do cenário das letras para se consagrar de todo à tradiçional revista.
                        Retornando meio século atrás, foi o repórter folhear os primeiros números do tico-tico que impressos na Tipografia e Litografia de L. Malafaia Junior apareciam às quartas-feiras e se vendiam a duzentos réis cada um. Nesses números vamos encontrar coloridos desenhos de Ângelo Agostini, J. R. Lobão, J. Carlos, Vasco Lima, Leônidas, Gil, A. Rocha, Storni e Cícero Valadares - aquele excelente homem que Álvaro Moreyra tão pitorescamente retratou em 20 linhas de suas memórias. De Lobãoeram quase sempre as historietas das capas. J. Carlos, além de algumas histórias sem palavras, já lançava, no número 19, o calunga Juquinha dado como primo do chiquinho. Por sua vez Leônidas (ou Leo como também se assinava) já no número 3 iniciava a publicação de uma história do Brasil em figuras - agora se diria em quadrinhos - numa vistosa pagina dupla em litografia colorida. De mestre Agostini destaca-se a alegoria que serviu de capa ao segundo número de 1906. E de Cicero, que se assinava também Dudu, aparece no número 44, um herói moleque - Bento - que não vingou ao contrário de seu similar Benjamim, lançado com grande êxito dois ou três anos depois pelo desenhista Loureiro. Aprimeira página assinada por Storni apareceu no número 50 e contava a história singela de um gordo Serapião antecessor do Zé Macaco que só apareceria em 1910.
                        Não faltavam também à revista os escritores de nomeada prometidos no expediente de todas as edições bastando citar que logo no primeiro números vinha um conto de Coelho Neto.
                        Os concursos semanais que interessavam a uma infinidade de concorrentes que tinham seus nomes publicados em extensas coluna maciças. Os prêmios eram de 10 a 20 cruzeiros para cada concurso de recortes ou de palitos mas houve até prêmios de 100 e de 50 no concurso inicial, que perguntava aos meninos o que é que queriam ser e que, talvez por efeito dos combates navais que então se travavam no Extremo Oriente, deu ao oficialato da Marinha 92 escolhas entre 493 participantes, enquanto apenas 2 queriam ser poetas, 1 "aeronauta" como Santos Dumont e um outro, utilitário, fabricante de brinquedos... Mas é nas relações dos solucionadores de tais sorteios que vamos encontrar o melhor desse mergulho nos distantes 1905 e 1906, nomes e nomes de crianças da época que hoje são personalidades de relêvo na vida brasileira: Canrobert Pereira da Costa, Orestes Barbosa, Fábio Carneiro de Mendonça, Henrique Lott, Otávio Tavares, Wladimir Bernardes, Otávio Fária, Altair de Queiroz, Américo Braga, Zeno Stilac Leal, Rodrigo Otávio Filho, Djalma Dias Ribeiro, Henrique Cavaleiro, Alceu Amoroso Lima, Cristovão Camargo, Mário Câmara, Paulo Bittencourt, Frederico Barros Barreto, Nelson de Melo, Henrique Dodsworth, Miguel Couto Junior, Ignácio José Veríssimo, Assis Chateaubriand, Arnaldo de Morais, Ciro Cardoso, Edgard Ribas Carneiro, os irmãos Sussekind de Mendonça (Edgard e Carlos) e até mesmo um certo Edmundinho Luz Pinto como está no número de 21-2-1906... E levando a indiscrição ao auge o repórter chegou a anotar também o nome de alguams meninas que hoje brilham no cenário nacional: Odete Barcelos, Laura Lacombe, Joanídia Sodré e Margarida Lopes de Almeida...
                        No tico-tico de hoje, reduzido no formato e tornado mensal, ainda vamos encontrar os bonecos de Alfredo Storni (Zé Macaco e Faustina) e os monólogos em redondilhas de Eustorgio Wanderley, os dois colaboradores mais antigos da revista. Nas outras paginas, ao lado de desenhistas que ora começam (Cesar, Ronald e Edmundo) muitas e muitas paginas ilustradas por Miguel, os concursos com quadros de Honra, uma infinidade de tópicos fabricados pelo faz-tudo Galvão de Queiroz e os admiráveis desenhos de Luis Sá, criador de Reco-Reco, Bolão e Azeitona.
                        "Não queremos a atenção nem o aplauso da gente grande; os pequeninos, os inocentes, os simples formarão o nosso público" - proclamava o editorial do primeiro número do tico-tico. Na realidade a revista foi além do que pretendia - além do público de pirralhos que ambicionava e que nunca lhe faltou ao longo destes conquenta anos de tão profundas alterações na vida social, teve também a gente grande, pais e educadores que tiveram nos leitores adultos Rui Barbosa e Coelho Neto, suas duas altíssimas expressões.


                        O desenhista Loureiro, pai do Benjamin e responsável pelas "aventuras do Chiquinho" durante doze anos. A Loureiro também se devem várias e instrutivas paginas de armar publicadas na revista destacando-se a série de veículos urbanos aparecida em fins de 1918.

                        Uma fotografia do arquivo de Loureiro. Um leitor de O TICO-TICO de 1919, posa orgulhoso para o fotografo, ao lado de alguns veículos de papelão e cartolina.

                        CABEÇALHO que por longos anos caracterizou O TICO-TICO. Foi desenhado pelo famoso ilustrador Angelo Agostini, um dos colaboradores da revista nos seus primeiros tempos.

                        "O TICO-TICO" é pai e avô de muita gente importante. Se uns alcançaram importância mas fizeram bobagens, "O TICO-TICO" não teve culpa. O dr. Sabe-Tudo e o vovô ensinaram sempre a maneira correta de viver, de sentar-se à mesa e de servir à pátria. E da remota infâncias, esse passarinho gentil vôa até nós, trazendo no bico o melhor do que fomos um dia. Obrigado, amigo!
Carlos Drummont de Andrade
                        "O TICO-TICO" constituiu as delícias da minha infância. Era de olhos arregados e curiosos que eu folheava as suas páginas coloridas, cheias de proezas do Zé Macaco, da Faustina, do Chuiqinho e do Benjamin.
                        E hoje me revejo nos meus netos quando eles repetem a mesma atitude até de espanto e alegria, diante das páginas de "O TICO-TICO". Ao renovar-se em mim a doce impressão daqueles tempos de leitor assíduo do "O TICO-TICO", conveço-me de que, na realidade, a criança é o pai do homem...
Cândido Motta Filho
                        Ao reencontrar meu nome entre os leitores de "O TICO-TICO", nesse velho exemplar de agosto de 1906, que a direção da revista teve a gentileza de me apresentar, evoco com indizivel emoção a atração e o interesse que há conquenta anos passados a pioneira publicação soube despertar nas crianças de todo o Brasil, os pais de família e os educadores. E tenho a satisfação de congratular-me com a tradicioanl revista pela fidelidade com que, neste meio século de vida, perseverou nos louváveis objetivos morais, educativos e patrióticos de seus fundadores."
Gen. Henrique Lott
                        Luis Carlinhos, Luis Fernando e Maria Helena:
                        Não tive , como vocês, a sorte de viver num tempo em que uma porção de gente trata das crianças, escrevendo revistas que ensinam a gente, fazendo o tempo passar de modo mais alegre. Também, só quando o vovô se tornou rapaz - porque o vovô já tem setenta anos - é que apareceu "O TICO-TICO". Que revista! Embora vovô já fizesse a barba, quanta coisa aprendeu no "O TICO-TICO"! Vendo vocês lendo "O TICO-TICO", que suas mamães também leram, vovô de hoje ainda muita coisa teria de aprender, beijos ternos do
HERBERT MOSES

À esquerda o garoto Buster Brown e o cachorro falastrão Tige, heróis criados pelo caricaturista Richard Felton Outcault no "THE NEW YORK HERALD" e que, decalcados para as páginas de O TICO-TICO, transformou-se nos popularíssimos Chiquinho e Jagunço. À direita a dupla já nacionalizada e mais o pretinho Benjamin criado por Luiz G. Loureiro.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Construindo uma imagem(O Cruzeiro, set/1952)

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Heis o exemplo de uma marca bem trabalhada no imaginário popular.

Uma boa esposa( Ocruzeiro, set/1952)

          Há uma série de circunstâncias que fazem da mulher uma boa espôsa. Tais circunstâncias variam de acôrdo com o homem com quem ela se casou. Umas são importantes para a felicidade conjugal. Outras são coisas banais na aparência mas que, repetidas com frequência, terminam por enfraquecer a união. Vejamos algumas dessas qualidades que, de um modo geral, se aplicam a todos os casais:
-         Não descuidar de receber o marido com atenção, todo o dia quando chega em casa.
-         Ser econômica, procurando limitar a despesa à receita.
-         Não viver se queixando de doenças, procurando despertar a atenção do marido por esse meio.
-         Não obrigar o marido a sair quando está cansado ou os receber certas pessoas quando não está disposto.
-         Estimulá-lo nos seus momentos de desânimo.
-         Manter sempre a linha, procurando enfeitar-se em têrmos para que o marido não tenha a impressão de ter casado com uma negligente.
-         Não aborrecer o marido, privando-o de tôda a comodidade dentro de casa apenas para não desarrumar.
-         Evitar conversar quando o marido chega em casa aborrecido.
-         Não discutir, ou pelo menos não fazer insultos numa discussão.
-         Procurar manter o bom-humor e a integridade da família.

Da mulher para a mulher, por  Maria Teresa.

Conselheiro sentimental

Quando uma moça está indecisa se volta a namorar com um rapaz que duas vêzes a deixou, influenciado por terceiros, o melhor é dar o caso por encerrado. Pois se ela não tem certeza se o ama e se êle tem dado provas sobejas de fraqueza, para que insistir? Seria correr o risco de mais uma decepção.

De mulher para mulher.

Apresentação de lendas urbanas.

Este blog destina-se a recuperar matérias vinculadas em diversos orgãos de comunicação, especialmente jornais e revistas, sobre diferentes histórias urbanas, em qualquer contexto, que com o tempo ficaram no imaginário popular sem ninguém saber se foi Verdade ou não. Com isto também quero homenagear grandes publicações(O Cruzeiro, Manchete, Revista do Globo, etc.), grandes matérias e grandes jornalistas que marcaram época e estavam condenados ao esquecimento em sebos e biblioteca. Salientando que se alguem se sentir lesado com a utilização destas matérias por infringir algum direito basta solicitar para imediata retirada.

Não mereço menos do que ofereço.

Enfim, sinto que me encontrei este ano. Eu percebi que tinha uma infinidade de amor para dar e que não merecia receber menos que isso. També...